“Traduzem-se muitos livros no Brasil, mas nem sempre se traduzem os livros de que precisamos”.

“Querendo ou não, existe uma coisa chamada política literária, aquilo que se poderia chamar de economia das publicações. É uma economia monopolística: quatro ou cinco grandes editores determinam o que o público brasileiro vai ler. O resto não existe. O Brasil não é uma ilha . Não pode nem deve perder o contato com o mundo lá fora, sem tomar conhecimento de tendências que importam, e muito, ao mundo contemporâneo. Desde poucos anos existe nos Estados Unidos uma “ Vogue italiana ”. Perde-se a oportunidade de renovar e reavivar nosso romance nordestino pelo contato com a surpreendente arte novelística de uma região italiana tão próxima com o Nordeste.

O Sul e seus romancistas Vittorini, Brancati, Bernari, Marotta, Seminara, Rea, Scotellaro. E quem conhece Sánchez Ferlosio?

Nossos editores não conhecem Sánchez Ferlosio. Só conhecem o mercado. Duvidam de obter sucesso comercial, com a tradução de romances estrangeiros. Parecem ter esquecido, totalmente, que o Lobo da Estepe , de Hesse , foi um dos maiores e dos mais permanentes sucessos de livraria. A conclusão é evidente: traduzem-se muitos livros no Brasil, mas nem sempre se traduzem os livros de que precisamos: é necessário, portanto, mudar nossa política ‘tradutorial’.”

(Carpeaux, “Livros que não há na mesa” — adaptado)


Até mais!

Equipe Tête-à-Tête