Editora Karpfen | Liberar

“A Literatura Russa através dos Contos: ensaio crítico” também oferece ao público algumas objeções fundadas contra a acusação de plágio de “O Narrador”, de Walter Benjamin.

Passados ​​40 anos do seu falecimento, o crítico e historiador literário Otto Maria Carpeaux resiste ao tempo e conta com leitores apaixonados, dentro e fora das Universidades. Nascido em Viena em 1900 e refugiado no Brasil em 1939, Carpeaux logo exerceu influência marcada na cultura brasileira, até seu falecimento em 1978. Apresentou ao público alguns escritores então ignorados, como Franz Kafka , redigiu ensaios fundamentais de literatura russa e foi além, como testemunhou Manuel Bandeira na década de 1960: “Devo-lhe muito. A sua acuidade crítica, a sua imensa cultura foram uma espécie de toque final na minha formação de poeta” ( Jornal do Brasil , 9 mar. 1960).

Essa influência continua a se exercitar hoje, embora oscilando entre o silêncio da pesquisa e alarde das discussões. Fora a mais ou menos recente disputa da História da Literatura Ocidental por grandes editoras, em fins de 2016 Carpeaux foi acusado de ter plagiado Walter Benjamin — simetrias inegáveis ​​entre o texto Rússia Sacra (1941), de Carpeaux, e o ensaio fundamental de Benjamin, O Narrador (1936), saiu do ambiente acadêmico para a grande imprensa paulista, causando burburinho entre os leitores do crítico. No calor da hora, adesões irrestritas se valeram da constatação, enquanto objeções de alguns poucos — Carlos Heitor Cony , por exemplo — levantaram suposições ponderáveis, mas sem qualquer prova.

“Devo-lhe muito. A sua acuidade crítica, a sua imensa cultura foram uma espécie de toque final na minha formação de poeta” (Manuel Bandeira)

Desde então, os organizadores da recém-fundada editora Karpfen estudaram o tema e fizeram algumas descobertas. “Ao lançarmos a editora com projetos de Carpeaux, não consegui ignorar o certo plágio de O Narrador ”, informam os editores, “e o avanço de pesquisas iniciais permite-nos agora, não a refutação total, mas levanta algumas objeções fundadas, de interesse geral ”.

Fazendo certo mistério em torno da questão (“Uma palavra nossa, e nossos leitores chateavam-se”), os organizadores de A Literatura Russa através dos Contos: ensaio crítico , em cuja introdução estuda-se a questão Carpeaux-Benjamin, limitaram-se a informar que o conteúdo de O Narrador de Walter Benjamin, “aparentemente, não era exclusivamente seu, e tudo indica que Carpeaux conheceu as mesmas fontes, parecendo Rússia Sacra mais um resumo pessoal, publicado em jornal, do que ensaio jamais publicado em seus livros e nunca aproveitado nos mesmos termos”. Aguardemos o lançamento.

De Púchkin a Tolstói

Sobre o ensaio crítico de “literatura russa através dos contos”, os organizadores informaram que, ao longo de 189 páginas originais, estudam-se 29 escritores e 150 anos daquela literatura, constituindo-se a obra mista de crítica e história literária, em que se revelam, apenas a propósito de alguns contos e novelas curtas, a totalidade das obras de Dostoiévski, Tolstói, Púchkin e outros seis escritores. “Os outros 20 escritores”, finalizaram, “virão no segundo volume”.

Sobre a editora

Lançada em agosto último, a Karpfen dedica-se aos nichos de crítica e estudos literários, em um retorno às fontes originais de pesquisa, e ao de poesia brasileira contemporânea, com edições bem organizadas e anotadas e projeto gráfico tradicional. Seu catálogo atual, por lançamento e com registro de ISBN, constitui-se da coleção A Literatura Russa através dos contos (2 vols.), A morte sucinta e A vida prolixa , livro de epitáfios e haicais satíricos, entre outros.


Até mais!

Equipe Tête-à-Tête