O fim do mundo antigo e o nascimento de uma nova visão
Com o declínio do Império Romano, não foi apenas uma ordem política que desapareceu. Uma visão inteira de mundo entrou em crise. A filosofia antiga havia buscado compreender o cosmos, a natureza e a estrutura do real, como vimos em Aristóteles e na filosofia clássica.
Mas com Santo Agostinho (354–430), o centro da filosofia desloca-se. A questão fundamental deixa de ser apenas o mundo exterior.
E torna-se o mundo interior.
Pela primeira vez de forma radical, a verdade passa a ser buscada dentro da alma.

A descoberta da interioridade
Para os filósofos gregos, o conhecimento era obtido pela razão que contemplava o mundo.
Para Agostinho, o caminho passa pela interioridade.
Ele escreve nas Confissões:
“Não saias de ti. Volta para dentro de ti mesmo. No interior do homem habita a verdade.”
Essa afirmação marca uma ruptura profunda na história das ideias.
O homem deixa de ser apenas um observador do cosmos.
Ele torna-se um ser que possui profundidade interior.
Consciência. Memória. Alma.
A verdade não é apenas algo que se vê.
É algo que ilumina.
O tempo como experiência interior
Uma das contribuições mais revolucionárias de Agostinho é sua reflexão sobre o tempo.
Para os gregos, o tempo era cíclico.
Para Agostinho, o tempo é vivido interiormente.
O passado existe como memória.
O futuro existe como expectativa.
O presente existe como consciência.
O tempo torna-se uma experiência da alma.
Essa concepção moldaria toda a filosofia posterior.
Até mais!
Tête-à-Tête










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