A Consciência de existir, a raizDo ilimitado, omnímodo mistérioQue tem tronco de Ser, folhas de vidaFlores de sentimento e sofrimentoE frutos do pensar, podres depressa. A Consciência de existir, tormentoPrimeiro e último do raciocínioQue, porém, filho dela, a não atinge.A... Continue lendo →
Ver as coisas até ao fundo...E se as coisas não tiverem fundo? Ah, que bela a superfície!Talvez a superfície seja a essênciaE o mais que a superfície seja o mais que tudoE o mais que tudo não é nada. Ó face... Continue lendo →
Teus olhos tristes, parados,Coisa nenhuma a fitar...Ah meu amor, meu amor,Se eu fora nenhum lugar! ... Fernando Pessoa (1888-1935) Até mais! Equipe Tête-à-Tête
Jean Cocteau foi um mestre. No entanto, para além de deter o estatuto de mestre, o francês foi mais além. Na pele de poeta, encenador, ator, cineasta e designer, foi um polímata moderno ligado à célebre primeira metade do século... Continue lendo →
Só a natureza é divina, e ela não é divina...Se falo dela como de um enteÉ que para falar dela preciso usar da linguagem dos homensQue dá personalidade às coisas,E impõe nome às coisas.Mas as coisas não têm nome nem... Continue lendo →
Aqui na minha frente a folha branca do papel, à espera; dentro de mim esta angústia, à espera: e nada escrevo. A vida não é para se escrever. A vida — esta intimidade profunda, este ser sem remédio, esta noite... Continue lendo →
A partir da expansiva vegetação e das extensas formas de vida das serras transmontanas, deu-se à luz Miguel Torga. Pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha, Torga deu origem a um corpo de escrita inspirada e referente à coesão entre o ser humano... Continue lendo →
José Régio notabilizou-se como um dos nomes sonantes da cultura portuguesa do século XX. Para além de autor e poeta, compôs peças, contos, ensaios, crónicas, esporádicas pinturas e possuiu a sua própria coleção de arte, especialmente de tipos sacra e... Continue lendo →
"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos docesEstendendo-me os braços, e segurosDe que seria bom que eu os ouvisseQuando me dizem: "vem por aqui!"Eu olho-os com olhos lassos,(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)E cruzo os braços,E nunca... Continue lendo →
Carlos Drummond de Andrade foi um grande poeta, contista e cronista brasileiro. Pelo conjunto de sua obra, tornou-se um dos principais representantes da Literatura Brasileira do século XX. É considerado, por muitos críticos literários, como um dos principais escritores do... Continue lendo →
No ensaio Filosofia da Composição (1846), o escritor norte-americano Edgar Allan Poe desnuda o percurso da criação poética, servindo-se do seu célebre poema “O Corvo” – “The Raven” na língua original – como meio para explicar a criação artística. Refletindo sobre as... Continue lendo →
Ah! arrancar às carnes laceradasSeu mísero segredo de consciência!Ah! poder ser apenas florescênciaDe astros em puras noites deslumbradas! Ser nostálgico choupo ao entardecer,De ramos graves, plácidos, absortosNa mágica tarefa de viver! Quem nos deu asas para andar de rastos?Quem nos... Continue lendo →
A noitedesceu. Que noite!Já não enxergo meus irmãos.E nem tão pouco os rumores que outrora me perturbavam. A noite desceu. Nas casas, nas ruas onde se combate,nos campos desfalecidos, a noite espalhou o medo e a total incompreensão.A noite caiu.... Continue lendo →
Certa palavra dorme na sombrade um livro raro.Como desencantá-la?É a senha da vidaa senha do mundo.Vou procurá-la. Vou procurá-la a vida inteirano mundo todo.Se tarda o encontro, se não a encontro,não desanimo,procuro sempre. Procuro sempre, e minha procuraficará sendominha palavra.... Continue lendo →
Na minha rua estão cortando árvoresbotando trilhosconstruindo casas. Minha rua acordou mudada.Os vizinhos não se conformam.Eles não sabem que a vidatem dessas exigências brutas. Só minha filha goza o espetáculoe se diverte com os andaimes,a luz da solda autógenae o... Continue lendo →
Muito embora as estrelas do InfinitoLá de cima me acenem carinhosasE desça das esferas luminosasA doce graça de um clarão bendito; Embora o mar, como um revel proscrito,Chame por mim nas vagas ondulosasE o vento venha em cóleras medrosasO meu... Continue lendo →
Horror da Morte A ilusão da vida, é horrorosa;Mas o horror de pensarQue a morte quebraEssa ilusão numa realidadeReveladora da verdade certa!Oh, esse horror! ... Fernando Pessoa (1888-1935) Até mais! Equipe Tête-à-Tête
Ferreira Gullar, cujo nome de registro era José Ribamar Ferreira, foi poeta, crítico de artes plásticas, redator e dramaturgo. Foi também o fundador do Neoconcretismo na literatura brasileira. Biografia resumida- Ferreira Gullar nasceu em São Luís (Maranhão) no dia 10 de... Continue lendo →
Navio que partes para longe,Porque é que, ao contrário dos outros,Não fico, depois de desapareceres, com saudades de ti?Porque quando te não vejo, deixaste de existir.E se se tem saudades do que não existe,Sente-se em relação a coisa nenhuma,Não é... Continue lendo →
Todas as opiniões que há sobre a NaturezaNunca fizeram crescer uma erva ou nascer uma flor.Toda a sabedoria a respeito das coisasNunca foi coisa em que pudesse pegar, como nas coisas.Se a ciência quer ser verdadeira,Que ciência mais verdadeira que... Continue lendo →
Não creio ainda no que sinto -Teus beijos, meu amor, que sãoA aurora ao fundo do recintoDo meu sentido coração... Não creio ainda nessa bocaQue, por tua alma em beijos dada,Na minha boca estaca e tocaE ali (...) fica parada.... Continue lendo →
Escuta-me piedosamente.Não vale a pena amar-me não,Mas o que o meu coração sente -Ah, quero que te passe renteÀ ideia do teu coração... Quero que julgues que podiasSe quisesses, amar-me. SóSaber isso consolariaMinha alma erma de alegria...Ter a certeza do teu... Continue lendo →
Ah, bate leve, mais levemente!Eu julguei morto meu coraçãoNa hora passa, como dementeOphelia indo para a corrente,Não sei que incerta minha emoção, Julguei-te morto, coração triste,Que nada fazes salvo doer.Julguei-te morto, e ainda existeNa tua cinza algum fogo e resisteEm... Continue lendo →
Senhor, meu passo está no LimiarDa Tua Porta. Faz-me humilde ante o que vou legar...Meu mero ser que importa? Sombra de Ti aos meus pés tens, desenhoDe Ti em mim, Faz que eu seja o claro e humilde engenhoQue revela... Continue lendo →
Ó Juliano Apóstata, que laçoÉ esse que me prende a quem tu foste,Imperador sombrio e calmo, quemÉ que em nós ambos é o mesmo alguém?Porque sinto eu teu gesto no meu braçoNa m[inha] vida tua morte. Quem foste tu, que... Continue lendo →
Ah o crepúsculo, o cair da noite, o acender das luzes nas grandes cidades E a mão de mistério que abafa o bulício,E o cansaço de tudo em nós que nos corrompePara uma sensação exacta e precisa e activa da... Continue lendo →
Tudo que faço ou meditoFica sempre na metade.Querendo, quero o infinito.Fazendo, nada é verdade. Que nojo de mim me ficaAo olhar para o que faço!Minha alma é lúcida e rica,E eu sou um mar de sargaço – Um mar onde... Continue lendo →
Qual é, senhor, a melhor sorte?Mais vale a vida ou mais querer?Há, além do portal da morte,Melhor viver?Será melhor viver amandoE buscar o amor entre a vida,Ou, inda que chorando,Buscar o amorOnde tudo é a sombra e o vago,E o... Continue lendo →
O mistério do mundo,O íntimo, horroroso, desolado,Verdadeiro mistério da existência,Consiste em haver esse mistério.... Não é a dor de já não poder crerQue m’oprime, nem a de não saber,Mas apenas completamente o horrorDe ter visto o mistério frente a frente,De... Continue lendo →
Todas as cartas de amor sãoRidículas.Não seriam cartas de amor se não fossemRidículas. Também escrevi em meu tempo cartas de amor,Como as outras,Ridículas. As cartas de amor, se há amor,Têm de serRidículas. Mas, afinal,Só as criaturas que nunca escreveramCartas de... Continue lendo →
Prefiro rosas, meu amor, à pátria,E antes magnólias amoQue a glória e a virtude. Logo que a vida me não canse, deixoQue a vida por mim passeLogo que eu fique o mesmo. Que importa àquele a quem já nada importaQue... Continue lendo →
Acordo de noite subitamente.E o meu relógio ocupa a noite toda.Não sinto a Natureza lá fora,O meu quarto é uma coisa escura com paredes vagamente brancas.Lá fora há um sossego como se nada existisse.Só o relógio prossegue o seu ruído.E... Continue lendo →
Ai que prazerNão cumprir um dever,Ter um livro para lerE não o fazer!Ler é maçada,Estudar é nada.O sol doiraSem literatura.O rio corre, bem ou mal,Sem edição original.E a brisa, essa,De tão naturalmente matinal,Como tem tempo não tem pressa... Livros são... Continue lendo →
Biografia resumida e características do estilo literário Filho de um operário ferroviário e de uma professora primária, nasceu em 12 de julho de 1904, na cidade de Parral (Chile). Seu nome verdadeiro era Neftalí Ricardo Reyes Basoalto. Perdeu a mãe... Continue lendo →
Os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .No céu de outono, anda um langor final de plumaQue se desfaz por entre os dedos, vagamente . . . Os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .Tudo se apaga, e... Continue lendo →
O que me encanta é a linha aladadas tuas espáduas, e a curvaque descreves, passáro da água! É a tua fina, ágil cintura,e esse adeus da tua gargantapara cemitérios de espuma! É a despedida, que me encanta,quando te desprendes ao... Continue lendo →
Celebrar este mundo adivinhandoa incurável leveza, a inabalávelcerteza do esplendor interminávelda luz de Deus, aurora ruminando para sempre a quietude do imutável.Somos reflexos dessa luz, um bandode flamingos ardendo, misturando-se ao sol nascente, ao inimaginável incêndio indescritível, todo asas,todo luz…... Continue lendo →
Antônio Frederico de Castro Alves foi um importante poeta brasileiro do século XIX. Apesar de ter vivido tão pouco, este notável escritor deixou livros e poemas significativos. É considerado um dos grandes nomes da terceira geração do Romantismo brasileiro. Suas... Continue lendo →
“Eu vos compensarei pelos anos que o gafanhoto comeu…”(Joel, 2: 25) O Senhor prometera nos compensar os anosque a legião dos gafanhotos devorara,meu coração, mas a promessa era tão raraque achei mais natural vê-Lo mudar de planos que afinal ocupar-Se... Continue lendo →
Não sou o que te quer. Sou o que descea ti, veia por veia, e se derramaà cata de si mesmo e do que é chamae em cinza se reúne e se arrefece. Anoitece contigo. E me anoiteceo lume do... Continue lendo →









