Onde começo,onde acabo,se o que está fora está dentrocomo num círculo cujaperiferia é o centro? Estou disperso nas coisas,nas pessoas, nas gavetas:de repente encontro alipartes de mim: risos, vértebras. Estou desfeito nas nuvens:vejo do alto a cidadee em cada esquina... Continue Reading →
Só agoraseique existe a eternidade:é a duraçãofinitada minha precariedade O tempo forade mimé relativomas não é o tempo vivo:esse é eternoporque efetivo- dura eternamenteenquanto vivo E como não vivoalém do eu vivonão étempo relativo:dura em si mesmoeterno (e transitivo) ...... Continue Reading →
Bem sabes Tu, Senhor, que o bem melhor é aquele Que não passa, talvez, de um desejo ilusório. Nunca me dê o Céu... quero é sonhar com ele Na inquietação feliz do Purgatório. ... Mário Quintana (1906-1994) Até mais! Equipe... Continue Reading →
Por acaso, surpreendo-me no espelho:Quem é esse que me olha e é tão mais velho que eu? (...)Parece meu velho pai - que já morreu! (...)Nosso olhar duro interroga:"O que fizeste de mim?" Eu pai? Tu é que me invadiste.Lentamente,... Continue Reading →
As tuas mãos tem grossas veiascomo cordas azuissobre um fundo de manchasjá da cor da terra— como são belas as tuas mãospelo quanto lidaram, acariciaramou fremiram da nobre cólera dos justos…Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,essa beleza que... Continue Reading →
A nós bastem nossos próprios ais, Que a ninguém sua cruz é pequenina. Por pior que seja a situação da China, Os nossos calos doem muito mais... ... Mário Quintana (1906-1994) Até mais! Equipe Tête-à-Tête
A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração... Continue Reading →
Quemsabe um diaQuem sabe um seremosQuem sabe um viveremosQuem sabe um morreremos! Quem é queQuem é machoQuem é fêmeaQuem é humano, apenas! Sabe amarSabe de mim e de siSabe de nósSabe ser um! Um diaUm mêsUm anoUm(a) vida! Sentir primeiro,... Continue Reading →
Se as coisas são inatingíveis... ora!não é motivo para não querê-las.Que tristes os caminhos, se não foraa mágica presença das estrelas! ... Mário Quintana (1906-1994) Até mais! Equipe Tête-à-Tête
Na minha pátria tem um monte.Na minha pátria tem um rio.Vem comigo.A noite sobe ao monte.A fome desce ao rio.Vem comigo.E quem são os que sofrem?Não sei, porém são meus.Vem comigo.Não sei, porém me chamame nem dizem: “Sofremos”Vem comigoE me... Continue Reading →
Dormi contigo a noite inteira junto do mar, na ilha.Selvagem e doce eras entre o prazer e o sono,entre o fogo e a água.Talvez bem tarde nossossonos se uniram na altura ou no fundo,em cima como ramos que um mesmo... Continue Reading →
Te amo de uma maneira inexplicável,de uma forma inconfessável,de um modo contraditório.Te amo, com meus estados de ânimo que são muitose mudar de humor continuadamentepelo que você já sabeo tempo,a vida,a morte.Te amo, com o mundo que não entendocom as... Continue Reading →
Depois de tudo te amareicomo se fosse sempre antescomo se de tanto esperarsem que te visse nem chegassesestivesses eternamenterespirando perto de mim.Perto de mim com teus hábitos,teu colorido e tua guitarracomo estão juntos os paísesnas lições escolarese duas comarcas se... Continue Reading →
Tenho fome de tua boca, de tua voz, de teu pêloe por estas ruas me vou sem alimento, calado,não me nutri o pão, a aurora me altera,busco o som líquido de teus pés neste dia.Estou faminto de teu riso resvalado,de... Continue Reading →
Não te quero senão porque te queroe de querer-te a não querer-te chegoe de esperar-te quando não te esperopassa meu coração do frio ao fogo.Quero-te apenas porque a ti eu quero,a ti odeio sem fim e, odiando-te, te suplico,e a... Continue Reading →
Matilde, nome de planta ou pedra ou vinho,do que nasce da terra e dura,palavra em cujo crescimento amanhece,em cujo estio rebenta a luz dos limões.Nesse nome correm navios de madeirarodeados por enxames de fogo azul-marinho,e essas letras são a água... Continue Reading →
Jesus nasceu. Na abóbada infinitaSoam cânticos vivos de alegria;E toda a vida universal palpitaDentro daquela pobre estrebaria... Não houve sedas, nem cetins, nem rendasNo berço humilde em que nasceu Jesus...Mas os pobres trouxeram oferendasPara quem tinha de morrer na cruz.... Continue Reading →
De tanto olhar o sol,queimei os olhos,De tanto amar a vida enlouqueci.Agora sou no mundo esta negrura.À procuraDa luz e do juízo que perdi. ... Miguel Torga (1907-1995) Até mais! Equipe Tête-à-Tête
Com o correr dos anos, observei que a beleza, tal como a felicidade, é frequente. Não se passa um dia em que não estejamos, um instante, no paraíso. Não há poeta, por medíocre que seja, que não tenha escrito o... Continue Reading →
Bebes vinho comes pãoQuem é que plantou a vinha?Quem é que semeia o grão? Lá no socalco da serraAnda a cavar teu irmãoDebruçado sobre a terraP’ra que tenhas vinho e pão Para além daquela serraP’ra que tenhas vinho e pãoAbrindo... Continue Reading →
Que nenhuma estrela queime o teu perfilQue nenhum deus se lembre do teu nomeQue nem o vento passe onde tu passas. Para ti eu criarei um dia puroLivre como o vento e repetidoComo o florir das ondas ordenadas. ... Sophia... Continue Reading →
Dai-me a casa vazia e simples onde a luz é preciosa. Dai-me a beleza intensa e nua do que é frugal. Quero comer devagar e gravemente como aquele que sabe o contorno carnudo e o peso grave das coisas.Não quero... Continue Reading →
Bebido o luar, ébrios de horizontes,Julgamos que viver era abraçarO rumor dos pinhais, o azul dos montesE todos os jardins verdes do mar. Mas solitários somos e passamos,Não são nossos os frutos nem as flores,O céu e o mar apagam-se... Continue Reading →
A hora da partida soa quandoEscurece o jardim e o vento passa,Estala o chão e as portas batem, quandoA noite cada nó em si deslaça. A hora da partida soa quandoas árvores parecem inspiradasComo se tudo nelas germinasse. Soa quando... Continue Reading →
A hora do cansaço As coisas que amamos,as pessoas que amamossão eternas até certo ponto.Duram o infinito variávelno limite de nosso poderde respirar a eternidade. Pensá-las é pensar que não acabam nunca,dar-lhes moldura de granito.De outra matéria se tornam, absoluta,numa... Continue Reading →
Quando eu morrer voltarei para buscarOs instantes que não vivi junto do mar. ... Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) Até mais! Equipe Tête-à-Tête
Dante Alighieri é sobejamente conhecido pelo uso do italiano na sua principal obra literária, “Divina Commedia”, idioma que ainda se encontrava em construção na transição entre o século XIII e o XIV. A cidade de Florença viu-o nascer e ser... Continue Reading →
Da vez primeira em que me assassinaram,Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.Depois, a cada vez que me mataram,Foram levando qualquer coisa minha. Hoje, dos meu cadáveres eu souO mais desnudo, o que não tem mais nada.Arde um toco... Continue Reading →
“Os personagens de Maupassant, sejam camponeses astutos ou bon-vivants de cartola e bengala, são criaturas primitivas: vítimas do Fado que os manobra, como se são bonecos, pelo fio dos instintos cegos. Lembram os habitantes do segundo círculo do Inferno de Dante, os voluptuosos…O... Continue Reading →
A 8 de Dezembro de 1894 nascia, no distrito de Évora, Florbela Espanca, um dos nomes mais célebres da Poesia em Portugal. Trinta e seis anos mais tarde, precisamente a 8 de Dezembro de 1930, a poetisa cometia suicídio. Embora... Continue Reading →
Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,onde as formas e as nações não encerram nenhum exemplo.Praticas laboriosamente os gestos universais,sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual. Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,e... Continue Reading →
Não é em mim o menor horrorA consciência da minha inconsciênciaDo automatismo sobrenaturalQue eu sou, círculo, de (...) sensaçõesRodando sempre, sempre equidistanteDo centro inatingível do meu ser. ... Fernando Pessoa (1888-1935) Até mais! Equipe Tête-à-Tête
O amor que eu tenho não me deixa estarPronto, quieto, firme num lugarHá sempre um pensamento que me enlevaE um desejo comigo que me levaLonge de mim, a quem eu amo e quero.Inda de noite, quando durmo, esperoA manhã em... Continue Reading →
Carlos Drummond de Andrade é um dos típicos homens ligados à cultura que compõem a página de rosto de um país. Considerado como um dos melhores poetas brasileiros do século XX, o seu cunho e estilo personalizado vêm-se perpetuando pelas décadas e... Continue Reading →
A Consciência de existir, a raizDo ilimitado, omnímodo mistérioQue tem tronco de Ser, folhas de vidaFlores de sentimento e sofrimentoE frutos do pensar, podres depressa. A Consciência de existir, tormentoPrimeiro e último do raciocínioQue, porém, filho dela, a não atinge.A... Continue Reading →
Parnasianismo é uma escola literária que surgiu na França em meados do século XIX, que tinha como objetivo a criação de "poesias perfeitas", valorizando a forma e a linguagem culta, e criticando o sentimentalismo do Romantismo. Os parnasianos valorizavam o positivismo e a... Continue Reading →
Teus olhos tristes, parados,Coisa nenhuma a fitar...Ah meu amor, meu amor,Se eu fora nenhum lugar! ... Fernando Pessoa (1888-1935) Até mais! Equipe Tête-à-Tête
Só a natureza é divina, e ela não é divina...Se falo dela como de um enteÉ que para falar dela preciso usar da linguagem dos homensQue dá personalidade às coisas,E impõe nome às coisas.Mas as coisas não têm nome nem... Continue Reading →
Aqui na minha frente a folha branca do papel, à espera; dentro de mim esta angústia, à espera: e nada escrevo. A vida não é para se escrever. A vida — esta intimidade profunda, este ser sem remédio, esta noite... Continue Reading →









