Em ti o meu olhar fez-se alvorada,E a minha voz fez-se gorjeio de ninho,E a minha rubra boca apaixonadaTeve a frescura pálida do linho. Fulvo de Espanha, em taça cinzelada,E a minha cabeleira desatadaPôs a teus pés a sombra dum... Continue Reading →
Deixa-me ser a tua amiga, Amor;A tua amiga só, já que não queresQue pelo teu amor seja a melhorA mais triste de todas as mulheres. O que me importa a mim?! O que quiseresÉ sempre um sonho bom! Seja o... Continue Reading →
Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida.Meus olhos andam cegos de te ver.Não és sequer razão do meu viverPois que tu és já toda a minha vida! Passo no mundo, meu Amor, a lerNo mist’rioso livro do teu serA mesma história tantas... Continue Reading →
Estrela perigosaRosto ao ventoMarulho e silêncioleve porcelanatemplo submersotrigo e vinhotristeza de coisa vividaárvores já floresceramo sal trazido pelo ventoconhecimento por encantaçãoesqueleto de idéiasora pro nobisDecompor a luzmistério de estrelaspaixão pela exatidãocaça aos vagalumes.Vagalume é como orvalhoDiálogos que disfarçam conflitos por... Continue Reading →
“Era Wilson, mas Wilson sem mais sussurrar agora as palavras, tanto que teria sido possível acreditar que eu próprio falava, quando ele me disse: – Venceste e eu me rendo. Mas, de agora em diante, também estás morto… morto para... Continue Reading →
Há muito tempo já que não escrevo um poemaDe amor.E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!A nossa naturezaLusitanaTem essa humanaGraçaFeiticeiraDe tornar de cristalA mais sentimentalE baçaBebedeira. Mas ou seja que vou envelhecendoE ninguém me deseje apaixonado,Ou que... Continue Reading →
é o amorO amor é o amor -e depois?!Vamos ficar os doisa imaginar,a imaginar?... O meu peito contra o teu peito,cortando o mar,cortando o ar.Num leitohá todo o espaço para amar! Na nossa carne estamossem destino,sem medo,sem pudor,e trocamos -somos... Continue Reading →
O que é bonito neste mundo, e anima,É ver que na vindimaDe cada sonhoFica a cepa a sonhar outra aventura...E que a doçuraQue se não provaSe transfiguraNuma doçuraMuito mais puraE muito mais nova... ... Miguel Torga (1907-1995) Até mais! Equipe... Continue Reading →
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,E que nele posso navegar sem rumo,Não respondasÀs urgentes perguntasQue te fiz.Deixa-me ser felizAssim,Já tão longe de ti como de mim. Perde-se a vida a desejá-la tanto.Só soubemos sofrer, enquantoO nosso amorDurou.Mas... Continue Reading →
For the moon never beams, without bringing me dreams Of the beautiful Annabel Lee;And the stars never rise, but I feel the bright eyes Of the beautiful Annabel Lee;And so, all the night-tide, I lie down by the side Of... Continue Reading →
Ponho-me a escrever teu nomecom letras de macarrão.No prato, a sopa esfria, cheia de escamase debruçados na mesa todos contemplamesse romântico trabalho.Desgraçadamente falta uma letra,uma letra somentepara acabar teu nome!- Está sonhando? Olhe que a sopa esfria!Eu estava sonhando...E há... Continue Reading →
Não quero saber de IPM, quero saber de IP.O M que se acrescentar não será militar,será de Maravilha.Estou abençoando a terra pela alegria do ipê.Mesmo roxo, o ipê me transporta ao círculo da alegria,onde encontro, dadivoso, o ipê-amarelo.Este me dá... Continue Reading →
Vamos, não chores.A infância está perdida.A mocidade está perdida.Mas a vida não se perdeu.O primeiro amor passou.O segundo amor passou.O terceiro amor passou.Mas o coração continua.Perdeste o melhor amigo.Não tentaste qualquer viagem.Não possuis carro, navio, terra.Mas tens um cão.Algumas palavras... Continue Reading →
O tempo passa? Não passano abismo do coração.Lá dentro, perdura a graçado amor, florindo em canção.O tempo nos aproximacada vez mais, nos reduza um só verso e uma rimade mãos e olhos, na luz.Não há tempo consumidonem tempo a economizar.O... Continue Reading →
Carlos, sossegue, o amoré isso que você está vendo:hoje beija, amanhã não beija,depois de amanhã é domingoe segunda-feira ninguém sabeo que será.Inútil você resistirou mesmo suicidar-se.Não se mate, oh não se mate,Reserve-se todo paraas bodas que ninguém sabequando virão,se é... Continue Reading →
Amar o perdidodeixa confundidoeste coração.Nada pode o olvidocontra o sem sentidoapelo do Não.As coisas tangíveistornam-se insensíveisà palma da mãoMas as coisas findasmuito mais que lindas,essas ficarão. Em "Memória", o sujeito poético confessa que está confuso e magoado por amar aquilo... Continue Reading →
Oh! se te amei, e quanto!Mas não foi tanto assim.Até os deuses claudicamem nugas de aritmética.Meço o passado com réguade exagerar as distâncias.Tudo tão triste, e o mais tristeé não ter tristeza alguma.É não venerar os códigosde acasalar e sofrer.É... Continue Reading →
Não serei o poeta de um mundo caduco.Também não cantarei o mundo futuro.Estou preso à vida e olho meus companheiros.Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.Entre eles, considero a enorme realidade.O presente é tão grande, não nos afastemos.Não nos afastemos muito,... Continue Reading →
Que pode uma criatura senão,entre criaturas, amar?amar e esquecer, amar e malamar,amar, desamar, amar?sempre, e até de olhos vidrados, amar?Que pode, pergunto, o ser amoroso,sozinho, em rotação universal,senão rodar também, e amar?amar o que o mar traz à praia,o que... Continue Reading →
POEMA DE SETE FACESQuando nasci, um anjo tortodesses que vivem na sombradisse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.As casas espiam os homensque correm atrás de mulheres.A tarde talvez fosse azul,não houvesse tantos desejos.O bonde passa cheio de pernas:pernas brancas pretas... Continue Reading →
Aos amantes é lícito a voz desvanecida.Quando acordares, um só murmúrio sobre o teu ouvido:Ama-me. Alguém dentro de mim dirá: não é tempo, senhora,Recolhe tuas papoulas, teus narcisos. Não vêsQue sobre o muro dos mortos a garganta do mundoRonda escurecida?Não... Continue Reading →
O poema abaixo é um dos mais importantes exemplares da poesia romântica brasileira. Castro Alves pinta em sua lírica um amor pleno, idealizado e eterno. No entanto, como pertence à terceira fase do Romantismo, Castro Alves já inclui em seus... Continue Reading →
Amor, de Álvares de Azevedo, é um clássico poema da geração romântica brasileira. Seus versos ilustram uma época e uma postura de devoção, quase idealizada, entre um homem apaixonado e uma mulher que é basicamente contemplada. Embora o poema seja,... Continue Reading →
A vida só é possívelreinventada.Anda o sol pelas campinase passeia a mão douradapelas águas, pelas folhas...Ah! tudo bolhasque vem de fundas piscinasde ilusionismo... — mais nada.Mas a vida, a vida, a vida,a vida só é possívelreinventada.Vem a lua, vem, retiraas... Continue Reading →
Desejo uma fotografiacomo esta — o senhor vê? — como esta:em que para sempre me riacomo um vestido de eterna festa.Como tenho a testa sombria,derrame luz na minha testa.Deixe esta ruga, que me emprestaum certo ar de sabedoria.Não meta fundos... Continue Reading →
Enfim, depois de tanto erro passadoTantas retaliações, tanto perigoEis que ressurge noutro o velho amigoNunca perdido, sempre reencontrado.É bom sentá-lo novamente ao ladoCom olhos que contêm o olhar antigoSempre comigo um pouco atribuladoE como sempre singular comigo.Um bicho igual a... Continue Reading →
Quando a luz dos olhos meusE a luz dos olhos teusResolvem se encontrarAi que bom que isso é meu DeusQue frio que me dá o encontro desse olharMas se a luz dos olhos teusResiste aos olhos meus só p'ra me... Continue Reading →
Após a insurreição de 17 de JunhoO secretário da União dos EscritoresFez distribuir panfletos na Alameda EstalineEm que se lia que, por culpa sua,O povo perdeu a confiança do governoE só à custa de esforços redobradosPoderá recuperá-la. Mas não seriaMais... Continue Reading →
TomaraQue você volte depressaQue você não se despeçaNunca mais do meu carinhoE chore, se arrependaE pense muitoQue é melhor se sofrer juntoQue viver feliz sozinhoTomaraQue a tristeza te convençaQue a saudade não compensaE que a ausência não dá pazE o... Continue Reading →
De repente do riso fez-se o prantoSilencioso e branco como a brumaE das bocas unidas fez-se a espumaE das mãos espalmadas fez-se o espanto.De repente da calma fez-se o ventoQue dos olhos desfez a última chamaE da paixão fez-se o... Continue Reading →
Para isso fomos feitos:Para lembrar e ser lembradosPara chorar e fazer chorarPara enterrar os nossos mortos —Por isso temos braços longos para os adeusesMãos para colher o que foi dadoDedos para cavar a terra.Assim será nossa vida:Uma tarde sempre a... Continue Reading →
Quando a madrugada entrou eu estendi o meu peito nu sobre o teu peitoEstavas trêmula e teu rosto pálido e tuas mãos friasE a angústia do regresso morava já nos teus olhos.Tive piedade do teu destino que era morrer no... Continue Reading →
Tristeza não tem fimFelicidade sim…A felicidade é como a plumaQue o vento vai levando pelo arVoa tão leveMas tem a vida brevePrecisa que haja vento sem parar.A felicidade do pobre pareceA grande ilusão do carnavalA gente trabalha o ano inteiroPor... Continue Reading →
Eu te peço perdão por te amar de repenteEmbora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidosDas horas que passei à sombra dos teus gestosBebendo em tua boca o perfume dos sorrisosDas noites que vivi acalentadoPela graça indizível... Continue Reading →
Eu te amo, Maria, eu te amo tantoQue o meu peito me dói como em doençaE quanto mais me seja a dor intensaMais cresce na minha alma teu encanto.Como a criança que vagueia o cantoAnte o mistério da amplidão suspensaMeu... Continue Reading →
Pensem nas criançasMudas telepáticasPensem nas meninasCegas inexatasPensem nas mulheresRotas alteradasPensem nas feridasComo rosas cálidasMas oh não se esqueçamDa rosa da rosaDa rosa de HiroximaA rosa hereditáriaA rosa radioativaEstúpida e inválida.A rosa com cirroseA antirrosa atômicaSem cor sem perfumeSem rosa sem... Continue Reading →
Dormi contigo a noite inteira junto do mar, na ilha.Selvagem e doce eras entre o prazer e o sono,entre o fogo e a água.Talvez bem tarde nossossonos se uniram na altura ou no fundo,em cima como ramos que um mesmo... Continue Reading →
Os vivossão vorazessão glutões ferozes:até dos mortos comemcarnes e vozes Se devoram os mortosdevoram os outros vivos:pelos olhos e sexoelogio, sorrisos Os vivos são dotadosde famintas bocas:devoram o que vêemo que cheiram e tocam Os vivos são fornalhasem sempre operação:em... Continue Reading →









