Posso escrever os versos mais tristes esta noite.Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".O vento da noite gira no céu e canta. Posso escrever os versos mais tristes esta noite.Eu amei-a e por... Continue lendo →
Não me peças palavras, nem baladas,Nem expressões, nem alma...Abre-me o seio,Deixa cair as pálpebras pesadas,E entre os seios me apertes sem receio. Na tua boca sob a minha, ao meio,Nossas línguas se busquem, desvairadas...E que os meus flancos nus vibrem... Continue lendo →
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.Tempo de absoluta depuração.Tempo em que não se diz mais: meu amor.Porque o amor resultou inútil.E os olhos não choram.E as mãos tecem apenas o rude trabalho.E o coração está... Continue lendo →
"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos docesEstendendo-me os braços, e segurosDe que seria bom que eu os ouvisseQuando me dizem: "vem por aqui!"Eu olho-os com olhos lassos,(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)E cruzo os braços,E nunca... Continue lendo →
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.A alma é que estraga o amor.Só em Deus ela pode encontrar satisfação.Não noutra alma.Só em Deus — ou fora do mundo.As almas são incomunicáveis. Deixa o teu corpo entender-se... Continue lendo →
Pus o meu sonho num navioe o navio em cima do mar;- depois, abri o mar com as mãos,para o meu sonho naufragar Minhas mãos ainda estão molhadasdo azul das ondas entreabertas,e a cor que escorre de meus dedoscolore as... Continue lendo →
Por muito tempo achei que a ausência é falta.E lastimava, ignorante, a falta.Hoje não a lastimo.Não há falta na ausência.A ausência é um estar em mim.E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,que rio e danço e invento exclamações... Continue lendo →
Te amo de uma maneira inexplicável,de uma forma inconfessável,de um modo contraditório.Te amo, com meus estados de ânimo que são muitose mudar de humor continuadamentepelo que você já sabeo tempo,a vida,a morte.Te amo, com o mundo que não entendocom as... Continue lendo →
Não te deixes destruir…Ajuntando novas pedrase construindo novos poemas.Recria tua vida, sempre, sempre.Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.Faz de tua vida mesquinhaum poema.E viverás no coração dos jovense na memória das gerações que hão de vir.Esta fonte... Continue lendo →
Becos da minha terra...Amo tua paisagem triste, ausente e suja.Teu ar sombrio. Tua velha umidade andrajosa.Teu lodo negro, esverdeado, escorregadio.E a réstia de sol que ao meio-dia desce fugidia,e semeias polmes dourados no teu lixo pobre,calçando de ouro a sandália... Continue lendo →
Se possuísse uma canoa e um papagaio, podia considerar-me realmente como um Robinson Crusoé, desamparado na sua ilha. Há, é verdade, em roda de mim uns quatro ou cinco milhões de seres humanos.Mas, que é isso? As pessoas que nos... Continue lendo →
No refúgio onde fiquei Esperando algum lampejo Observei a passagem dum deprimente cortejo Crianças que nada sabiam E velhos já muito sabidos, Sem despedida levados Pela terra consumidos Como estivesse assistindo a uma grande epopeia Testemunhei a batalha de todos... Continue lendo →
Vou-me embora pra PasárgadaLá sou amigo do reiLá tenho a mulher que eu queroNa cama que escolhereiVou-me embora pra Pasárgada Vou-me embora pra PasárgadaAqui eu não sou felizLá a existência é uma aventuraDe tal modo inconseqüenteQue Joana a Louca de... Continue lendo →
O meu nome é Severino,como não tenho outro de pia.Como há muitos Severinos,que é santo de romaria,deram então de me chamarSeverino de Maria;como há muitos Severinoscom mães chamadas Maria,fiquei sendo o da Mariado finado Zacarias.Mas isso ainda diz pouco:há muitos... Continue lendo →
“Ora (direis) ouvir estrelas! CertoPerdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,Que, para ouvi-las, muita vez despertoE abro as janelas, pálido de espanto… E conversamos toda a noite, enquantoA Via Láctea, como um pálio aberto,Cintila. E, ao vir do... Continue lendo →
Perdoa-me, folha seca,não posso cuidar de ti.Vim para amar neste mundo,e até do amor me perdi.De que serviu tecer florespelas areias do chãose havia gente dormindosobre o próprio coração?E não pude levantá-la!Choro pelo que não fiz.E pela minha fraquezaé que... Continue lendo →









