Abri curiosao céu.Assim, afastando de leve as cortinas. Eu queria entrar,coração ante coração,inteiriçaou pelo menos mover-me um pouco,com aquela parcimônia que caracterizavaas agitações me chamando Eu queria até mesmosaber ver,e num movimento redondocomo as ondasque me circundavam, invisíveis,abraçar com as... Continue Reading →
Teu corpo seja brasae o meu a casaque se consome no fogoum incêndio bastapra consumar esse jogouma fogueira chegapra eu brincar de novo. (Alice Ruiz) Até mais! Equipe Tête-à-Tête
Sempre quis um amorque falasseque soubesse o que sentisse. Sempre quis uma amor que elaborasseQue quando dormisseressonasse confiançano sopro do sonoe trouxesse beijono clarão da amanhecice. Sempre quis um amorque coubesse no que me disse. Sempre quis uma meniniceentre menino... Continue Reading →
Meus companheiros amados,não vos espero nem chamo:porque vou para outros lados.Mas é certo que vos amo. Nem sempre os que estão mais pertofazem melhor companhia.Mesmo com sol encoberto,todos sabem quando é dia. Pelo vosso campo imenso,vou cortando meus atalhos.Por vosso... Continue Reading →
Enquanto faço o verso, tu decerto vives.Trabalhas tua riqueza, e eu trabalho o sangue.Dirás que sangue é o não teres teu ouroE o poeta te diz: compra o teu tempo. Contempla o teu viver que corre, escutaO teu ouro de... Continue Reading →
Quem és? Perguntei ao desejo. Respondeu: lava. Depois pó. Depois nada. Tête-à-Tête
Aflição de ser eu e não ser outra.Aflição de não ser, amor, aquelaQue muitas filhas te deu, casou donzelaE à noite se prepara e se adivinhaObjeto de amor, atenta e bela. Aflição de não ser a grande ilhaQue te retém... Continue Reading →
Janela, palavra linda.Janela é o bater das asas da borboleta amarela.Abre pra fora as duas folhas de madeira à-toa pintada,janela jeca, de azul.Eu pulo você pra dentro e pra fora, monto a cavalo em você,meu pé esbarra no chão. Janela... Continue Reading →
MoORTErte, minha Senhora Dona Morte,Tão bom que deve ser o teu abraço!Lânguido e doce como um doce laçoE como uma raiz, sereno e forte. Não há mal que não sare ou não conforteTua mão que nos guia passo a passo,Em... Continue Reading →
Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo Mal de te amar neste lugar de imperfeiçãoOnde tudo nos quebra e emudeceOnde tudo nos mente e nos separa. ... Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) Até mais! Equipe... Continue Reading →
Deixa-me ser a tua amiga, Amor;A tua amiga só, já que não queresQue pelo teu amor seja a melhorA mais triste de todas as mulheres. O que me importa a mim?! O que quiseresÉ sempre um sonho bom! Seja o... Continue Reading →
A harmonia secreta da desarmonia: quero não o que está feito mas o que tortuosamente ainda se faz. Minhas desequilibradas palavras são o luxo de meu silêncio. Escrevo por acrobáticas aéreas piruetas - escrevo por profundamente querer falar. Embora escrever... Continue Reading →
Desejo uma fotografiacomo esta — o senhor vê? — como esta:em que para sempre me riacomo um vestido de eterna festa.Como tenho a testa sombria,derrame luz na minha testa.Deixe esta ruga, que me emprestaum certo ar de sabedoria.Não meta fundos... Continue Reading →
Pese embora as dificuldades emocionais e mentais com as quais se deparou, Sylvia Plath afirmou-se como um dos grandes nomes da literatura do século XX. Tanto numa extensão textual em que os parágrafos dominavam como noutra em que as estrofes... Continue Reading →
Que nenhuma estrela queime o teu perfilQue nenhum deus se lembre do teu nomeQue nem o vento passe onde tu passas. Para ti eu criarei um dia puroLivre como o vento e repetidoComo o florir das ondas ordenadas. ... Sophia... Continue Reading →
Dai-me a casa vazia e simples onde a luz é preciosa. Dai-me a beleza intensa e nua do que é frugal. Quero comer devagar e gravemente como aquele que sabe o contorno carnudo e o peso grave das coisas.Não quero... Continue Reading →
Bebido o luar, ébrios de horizontes,Julgamos que viver era abraçarO rumor dos pinhais, o azul dos montesE todos os jardins verdes do mar. Mas solitários somos e passamos,Não são nossos os frutos nem as flores,O céu e o mar apagam-se... Continue Reading →
A hora da partida soa quandoEscurece o jardim e o vento passa,Estala o chão e as portas batem, quandoA noite cada nó em si deslaça. A hora da partida soa quandoas árvores parecem inspiradasComo se tudo nelas germinasse. Soa quando... Continue Reading →
Quando eu morrer voltarei para buscarOs instantes que não vivi junto do mar. ... Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) Até mais! Equipe Tête-à-Tête
[...] talvez porque para as outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado é a própria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. E, para escrever,... Continue Reading →
A Noite passa, noivando.Caem ondas de luar.Lá passa a doida cantandoNum suspiro doce e brandoQue mais parece chorar! Dizem que foi pela morteD"alguém, que muito lhe quis,Que endoideceu. Triste sorte!Que dor tão triste e tão forte!Como um doido é infeliz!... Continue Reading →
Ah! arrancar às carnes laceradasSeu mísero segredo de consciência!Ah! poder ser apenas florescênciaDe astros em puras noites deslumbradas! Ser nostálgico choupo ao entardecer,De ramos graves, plácidos, absortosNa mágica tarefa de viver! Quem nos deu asas para andar de rastos?Quem nos... Continue Reading →
Fecho as pálpebras roxas, quase pretas,Que poisam sobre duas violetas,Asas leves cansadas de voar... E a minha boca tem uns beijos mudos...E as minhas mãos, uns pálidos veludos,Traçam gestos de sonho pelo ar... ... Florbela Espanca (1894-1930) Até mais! Equipe... Continue Reading →
Os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .No céu de outono, anda um langor final de plumaQue se desfaz por entre os dedos, vagamente . . . Os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .Tudo se apaga, e... Continue Reading →
O que me encanta é a linha aladadas tuas espáduas, e a curvaque descreves, passáro da água! É a tua fina, ágil cintura,e esse adeus da tua gargantapara cemitérios de espuma! É a despedida, que me encanta,quando te desprendes ao... Continue Reading →
Andar?! Não me custa nada!... Mas estes passos que dou Vão alongando uma estrada Que nem sequer começou. Andar na noite?!Que importa?... Não tenho medo da noite Nem medo de me cansar: Mas na estrada em que vou, Passo sempre... Continue Reading →
Creio nosanjos que andam pelo mundo,Creio na Deusa com olhos de diamantes,Creio em amores lunares com piano ao fundo,Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes, Creio num engenho que falta mais fecundoDe harmonizar as partes dissonantes,Creio que tudo eterno num... Continue Reading →
MINHA ALMA TEM O PESO DA LUZTEM O PESO DA MÚSICATEM O PESO DA PALAVRA NUNCA DITA,PRESTES QUEM SABE A SER DITATEM O PESO DE UMA LEMBRANÇATEM O PESO DE UMA SAUDADETEM O PESO DE UM OLHARPESA COMO PESA UMA... Continue Reading →
Eu sou a que no mundo anda perdida,Eu sou a que na vida não tem norte,Sou a irmã do Sonho, e desta sorteSou a crucificada... a dolorida... Sombra de névoa tênue e esvaecida,E que o destino amargo, triste e forte,Impele... Continue Reading →
Ah! arrancar às carnes laceradasSeu mísero segredo de consciência!Ah! poder ser apenas florescênciaDe astros em puras noites deslumbradas! Ser nostálgico choupo ao entardecer,De ramos graves, plácidos, absortosNa mágica tarefa de viver! Quem nos deu asas para andar de rastos?Quem nos... Continue Reading →
Deixa dizer-te os lindos versos rarosQue a minha boca tem pra te dizer!São talhados em mármore de ParosCinzelados por mim pra te oferecer. Têm dolência de veludos caros,São como sedas pálidas a arder...Deixa dizer-te os lindos versos rarosQue foram feitos... Continue Reading →
Hoje que seja esta ou aquela,pouco me importa.Quero apenas parecer bela,pois, seja qual for, estou morta. Já fui loura, já fui morena,já fui Margarida e Beatriz.Já fui Maria e Madalena.Só não pude ser como quis. Que mal faz, esta cor... Continue Reading →
Por que me falas nesse idioma? perguntei-lhe, sonhando.Em qualquer língua se entende essa palavra.Sem qualquer língua.O sangue sabe-o.Uma inteligência esparsa aprendeesse convite inadiável.Búzios somos, moendo a vidainteira essa música incessante.Morte, morte.Levamos toda a vida morrendo em surdina.No trabalho, no amor,... Continue Reading →
Sobre mim, teu desdém pesado jazComo um manto de neve... Quem disseraPorque tombou em plena PrimaveraToda essa neve que o Inverno traz! Coroavas-me inda há pouco de lilásE de rosas silvestres... quando eu eraAquela que o Destino prometeraAos teus rútilos... Continue Reading →
… assombrada pelos meus fantasmas,pelo que é mítico e fantástico– a vida é sobrenatural.E eu caminho em corda bamba até o limite de meu sonho.As vísceras torturadas pela voluptuosidadeGuiam-me, fúria dos impulsos. Antes de me organizartenho que me desorganizar internamente.Para... Continue Reading →
Seja o que você quer ser,porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chancede fazer aquilo que quer. Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.Dificuldades para fazê-la forte.Tristeza para fazê-la humana.E esperança suficiente para fazê-la feliz. As... Continue Reading →
Não te amo mais.Estarei mentindo dizendo queAinda te quero como sempre quis.Tenho certeza queNada foi em vão.Sinto dentro de mim queVocê não significa nada.Não poderia dizer jamais queAlimento um grande amor.Sinto cada vez mais queJá te esqueci! E jamais usarei... Continue Reading →









