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TÊTE-À-TÊTE

Conservando Valor

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poetas portugueses

NÃO SEI QUANTAS ALMAS TENHO, DE FERNANDO PESSOA

Não sei quantas almas tenho.Cada momento mudei.Continuamente me estranho.Nunca me vi nem achei.De tanto ser, só tenho alma.Quem tem alma não tem calma.Quem vê é só o que vê,Quem sente não é quem é,Atento ao que sou e vejo,Torno-me eles... Continue Reading →

É PRECISO TAMBÉM NÃO TER FILOSOFIA NENHUMA – FERNANDO PESSOA

Não basta abrir a janela Para ver os campos e o rio. Não é bastante não ser cego Para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma. Com filosofia não há árvores: há ideias apenas. Há só cada um de nós,... Continue Reading →

DORME SOBRE O MEU SEIO (PESSOA)

Dorme sobre o meu seio,Sonhando de sonhar...No teu olhar eu leioUm lúbrico vagar.Dorme no sonho de existirE na ilusão de amar. Tudo é nada, e tudoUm sonho finge ser.O 'spaço negro é mudo.Dorme, e, ao adormecer,Saibas do coração sorrirSorrisos de... Continue Reading →

PRESSÁGIO

O amor, quando se revela,Não se sabe revelar.Sabe bem olhar p'ra ela,Mas não lhe sabe falar. Quem quer dizer o que senteNão sabe o que há de dizer.Fala: parece que mente...Cala: parece esquecer... Ah, mas se ela adivinhasse,Se pudesse ouvir... Continue Reading →

O PASTOR AMOROSO

Agora que sinto amorTenho interesse nos perfumes.Nunca antes me interessou que uma flor tivesse cheiro.Agora sinto o perfume das flores como se visse uma coisa nova.Sei bem que elas cheiravam, como sei que existia.São coisas que se sabem por fora.Mas... Continue Reading →

VEM SENTAR-TE COMIGO, LÍDIA, À BEIRA DO RIO

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamosQue a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.(Enlaçemos as mãos). Depois pensemos, crianças adultas, que a vidaPassa e não fica, nada deixa e nunca regressa,Vai... Continue Reading →

TRANSFIGURAÇÃO – MIGUEL TORGA

Tens agoraoutro rosto, outra beleza:Um rosto que é preciso imaginar,E uma beleza mais furtiva ainda...Assim te modelaram caprichosas,Mãos irreais que tornam irrealO barro que nos foge da retina.Barro que em ti passou de luz carnalA bruma feminina... Mas nesse novo... Continue Reading →

INTIMIDADE

No coração da mina mais secreta,No interior do fruto mais distante,Na vibração da nota mais discreta,No búzio mais convolto e ressoante, Na camada mais densa da pintura,Na veia que no corpo mais nos sonde,Na palavra que diga mais brandura,Na raiz... Continue Reading →

MIGUEL TORGA, O LÍRICO DAS SERRAS

A partir da expansiva vegetação e das extensas formas de vida das serras transmontanas, deu-se à luz Miguel Torga. Pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha, Torga deu origem a um corpo de escrita inspirada e referente à coesão entre o ser humano... Continue Reading →

JOSÉ RÉGIO, UM DOS NOMES MAIS SONANTES DA CULTURA PORTUGUESA

José Régio notabilizou-se como um dos nomes sonantes da cultura portuguesa do século XX. Para além de autor e poeta, compôs peças, contos, ensaios, crónicas, esporádicas pinturas e possuiu a sua própria coleção de arte, especialmente de tipos sacra e... Continue Reading →

VEM, SERENIDADE – RAUL DE CARVALHO

Vem, serenidade!Vem cobrir a longafadiga dos homens,este antigo desejo de nunca ser feliza não ser pela dupla humidade das bocas. Vem, serenidade!faz com que os beijos cheguem à altura dos ombrose com que os ombros subam à altura dos lábios,faz... Continue Reading →

POEMA DO SILÊNCIO – JOSÉ RÉGIO

Sim, foi por mim que gritei.Declamei,Atirei frases em volta.Cego de angústia e de revolta. Foi em meu nome que fiz,A carvão, a sangue, a giz,Sátiras e epigramas nas paredesQue não vi serem necessárias e vós vedes. Foi quando compreendiQue nada... Continue Reading →

SONETO DE AMOR – JOSÉ RÉGIO

Não me peças palavras, nem baladas,Nem expressões, nem alma...Abre-me o seio,Deixa cair as pálpebras pesadas,E entre os seios me apertes sem receio. Na tua boca sob a minha, ao meio,Nossas línguas se busquem, desvairadas...E que os meus flancos nus vibrem... Continue Reading →

CÂNTICO NEGRO – JOSÉ RÉGIO

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos docesEstendendo-me os braços, e segurosDe que seria bom que eu os ouvisseQuando me dizem: "vem por aqui!"Eu olho-os com olhos lassos,(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)E cruzo os braços,E nunca... Continue Reading →

DEVIA MORRER-SE DE OUTRA MANEIRA – José Gomes Ferreira

Devia morrer-se de outra maneira.Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.Ou em nuvens.Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sola fingir de novo todas as manhãs, convocaríamosos amigos mais íntimos com um cartão de convitepara o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de... Continue Reading →

TODO O MUNDO DE SERES E RELAÇÕES – FERNANDO PESSOA

O mistério do mundo,O íntimo, horroroso, desolado,Verdadeiro mistério da existência,Consiste em haver esse mistério.... Não é a dor de já não poder crerQue m’oprime, nem a de não saber,Mas apenas completamente o horrorDe ter visto o mistério frente a frente,De... Continue Reading →

SER POETA – FLORBELA ESPANCA

Ser poeta é ser mais alto, é ser maiorDo que os homens! Morder como quem beija!É ser mendigo e dar como quem sejaRei do Reino de Aquém e de Além Dor! É ter de mil desejos o esplendorE não saber... Continue Reading →

É URGENTE O AMOR – EUGÉNIO DE ANDRADE

É urgente o amor.É urgente um barco no mar. É urgente destruir certas palavras,ódio, solidão e crueldade,alguns lamentos,muitas espadas. É urgente inventar alegria,multiplicar os beijos, as searas,é urgente descobrir rosas e riose manhãs claras. Cai o silêncio nos ombros e... Continue Reading →

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