“Desviei involuntariamente a vista daquele olhar vítreo para olhar-lhe os lábios delgados e contraídos. Entreabriram-se e, num sorriso bem significativo, os dentes da Berenice transformada se foram lentamente mostrando. Prouvera a Deus que eu nunca os tivesse visto, tendo-os visto,... Continue lendo →
“Há momentos em que, mesmo aos olhos serenos da razão, o mundo de nossa triste Humanidade pode assumir o aspecto de um inferno, mas a imaginação do homem não é Carathis para explorar impunemente todas as suas cavernas. Ah! A... Continue lendo →
O CORAÇÃO DENUNCIADOR- EDGAR ALLAN POE
Há muito tempo já que não escrevo um poemaDe amor.E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!A nossa naturezaLusitanaTem essa humanaGraçaFeiticeiraDe tornar de cristalA mais sentimentalE baçaBebedeira. Mas ou seja que vou envelhecendoE ninguém me deseje apaixonado,Ou que... Continue lendo →
é o amorO amor é o amor -e depois?!Vamos ficar os doisa imaginar,a imaginar?... O meu peito contra o teu peito,cortando o mar,cortando o ar.Num leitohá todo o espaço para amar! Na nossa carne estamossem destino,sem medo,sem pudor,e trocamos -somos... Continue lendo →
O que é bonito neste mundo, e anima,É ver que na vindimaDe cada sonhoFica a cepa a sonhar outra aventura...E que a doçuraQue se não provaSe transfiguraNuma doçuraMuito mais puraE muito mais nova... ... Miguel Torga (1907-1995) Até mais! Equipe... Continue lendo →
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,E que nele posso navegar sem rumo,Não respondasÀs urgentes perguntasQue te fiz.Deixa-me ser felizAssim,Já tão longe de ti como de mim. Perde-se a vida a desejá-la tanto.Só soubemos sofrer, enquantoO nosso amorDurou.Mas... Continue lendo →
For the moon never beams, without bringing me dreams Of the beautiful Annabel Lee;And the stars never rise, but I feel the bright eyes Of the beautiful Annabel Lee;And so, all the night-tide, I lie down by the side Of... Continue lendo →
All that we see or seemIs but a dream within a dream Tudo o que vemos ou parecemosNão passa de um sonho dentro de um sonho – (tradução literal) Depois de O Corvo, este e Annabel Lee são os poemas mais citados... Continue lendo →
O Corvo (The Raven) And the raven, never flitting, still is sitting, still is sittingOn the pallid bust of Pallas just above my chamber door;And his eyes have all the seeming of a demon’s that is dreaming,And the lamp-light o’er... Continue lendo →
Ponho-me a escrever teu nomecom letras de macarrão.No prato, a sopa esfria, cheia de escamase debruçados na mesa todos contemplamesse romântico trabalho.Desgraçadamente falta uma letra,uma letra somentepara acabar teu nome!- Está sonhando? Olhe que a sopa esfria!Eu estava sonhando...E há... Continue lendo →
O tempo passa? Não passano abismo do coração.Lá dentro, perdura a graçado amor, florindo em canção.O tempo nos aproximacada vez mais, nos reduza um só verso e uma rimade mãos e olhos, na luz.Não há tempo consumidonem tempo a economizar.O... Continue lendo →
Carlos, sossegue, o amoré isso que você está vendo:hoje beija, amanhã não beija,depois de amanhã é domingoe segunda-feira ninguém sabeo que será.Inútil você resistirou mesmo suicidar-se.Não se mate, oh não se mate,Reserve-se todo paraas bodas que ninguém sabequando virão,se é... Continue lendo →
Quando digo “meu Deus”,afirmo a propriedade.Há mil deuses pessoaisem nichos da cidade.Quando digo “meu Deus”,crio cumplicidade.Mais fraco, sou mais fortedo que a desirmandade.Quando digo “meu Deus”,grito minha orfandade.O rei que me ofereçorouba-me a liberdade.Quando digo “meu Deus”,choro minha ansiedade.Não sei... Continue lendo →
Oh! se te amei, e quanto!Mas não foi tanto assim.Até os deuses claudicamem nugas de aritmética.Meço o passado com réguade exagerar as distâncias.Tudo tão triste, e o mais tristeé não ter tristeza alguma.É não venerar os códigosde acasalar e sofrer.É... Continue lendo →
Por muito tempo achei que a ausência é falta.E lastimava, ignorante, a falta.Hoje não a lastimo.Não há falta na ausência.A ausência é um estar em mim.E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,que rio e danço e invento exclamações... Continue lendo →
Não serei o poeta de um mundo caduco.Também não cantarei o mundo futuro.Estou preso à vida e olho meus companheiros.Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.Entre eles, considero a enorme realidade.O presente é tão grande, não nos afastemos.Não nos afastemos muito,... Continue lendo →
Por que Deus permiteque as mães vão-se embora?Mãe não tem limite,é tempo sem hora,luz que não apagaquando sopra o ventoe chuva desaba,veludo escondidona pele enrugada,água pura, ar puro,puro pensamento.Morrer acontececom o que é breve e passasem deixar vestígio.Mãe, na sua... Continue lendo →
Eu te amo porque te amo.Não precisas ser amante,e nem sempre sabes sê-lo.Eu te amo porque te amo.Amor é estado de graçae com amor não se paga.Amor é dado de graça,é semeado no vento,na cachoeira, no eclipse.Amor foge a dicionáriose... Continue lendo →
Que pode uma criatura senão,entre criaturas, amar?amar e esquecer, amar e malamar,amar, desamar, amar?sempre, e até de olhos vidrados, amar?Que pode, pergunto, o ser amoroso,sozinho, em rotação universal,senão rodar também, e amar?amar o que o mar traz à praia,o que... Continue lendo →
POEMA DE SETE FACESQuando nasci, um anjo tortodesses que vivem na sombradisse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.As casas espiam os homensque correm atrás de mulheres.A tarde talvez fosse azul,não houvesse tantos desejos.O bonde passa cheio de pernas:pernas brancas pretas... Continue lendo →
Aos amantes é lícito a voz desvanecida.Quando acordares, um só murmúrio sobre o teu ouvido:Ama-me. Alguém dentro de mim dirá: não é tempo, senhora,Recolhe tuas papoulas, teus narcisos. Não vêsQue sobre o muro dos mortos a garganta do mundoRonda escurecida?Não... Continue lendo →
De longe te hei-de amar– da tranquila distânciaem que o amor é saudadee o desejo, constância.Do divino lugaronde o bem da existênciaé ser eternidadee parecer ausência.Quem precisa explicaro momento e a fragrânciada Rosa, que persuadesem nenhuma arrogância?E, no fundo do... Continue lendo →
O poema abaixo é um dos mais importantes exemplares da poesia romântica brasileira. Castro Alves pinta em sua lírica um amor pleno, idealizado e eterno. No entanto, como pertence à terceira fase do Romantismo, Castro Alves já inclui em seus... Continue lendo →
Amor, de Álvares de Azevedo, é um clássico poema da geração romântica brasileira. Seus versos ilustram uma época e uma postura de devoção, quase idealizada, entre um homem apaixonado e uma mulher que é basicamente contemplada. Embora o poema seja,... Continue lendo →
Os versos livres de Leminski são direcionados diretamente à amada e seguem o tom de uma conversa. Apesar de ser um poema contemporâneo, os versos parecem anacrônicos porque prometem uma fidelidade total e absoluta seguindo os moldes do amor romântico.... Continue lendo →
Em apenas quinze versos, Cecília Meireles consegue compor na sua Canção uma ode à urgência do amor. Singelo e direto, os versos convocam o retorno do amado. O poema, presente no livro Retrato natural (1949), também conjuga elementos recorrentes na lírica da poetisa: a... Continue lendo →
Hilda Hilst também é um nome incontornável quando se pensa em amor na poesia brasileira. A escritora paulista escreveu versos que vão desde a escrita erótica até a lírica idealizada. Quando se pensa em poesia de amor, o mais frequente... Continue lendo →
A vida só é possívelreinventada.Anda o sol pelas campinase passeia a mão douradapelas águas, pelas folhas...Ah! tudo bolhasque vem de fundas piscinasde ilusionismo... — mais nada.Mas a vida, a vida, a vida,a vida só é possívelreinventada.Vem a lua, vem, retiraas... Continue lendo →
Desejo uma fotografiacomo esta — o senhor vê? — como esta:em que para sempre me riacomo um vestido de eterna festa.Como tenho a testa sombria,derrame luz na minha testa.Deixe esta ruga, que me emprestaum certo ar de sabedoria.Não meta fundos... Continue lendo →
Quando a luz dos olhos meusE a luz dos olhos teusResolvem se encontrarAi que bom que isso é meu DeusQue frio que me dá o encontro desse olharMas se a luz dos olhos teusResiste aos olhos meus só p'ra me... Continue lendo →
Após a insurreição de 17 de JunhoO secretário da União dos EscritoresFez distribuir panfletos na Alameda EstalineEm que se lia que, por culpa sua,O povo perdeu a confiança do governoE só à custa de esforços redobradosPoderá recuperá-la. Mas não seriaMais... Continue lendo →
TomaraQue você volte depressaQue você não se despeçaNunca mais do meu carinhoE chore, se arrependaE pense muitoQue é melhor se sofrer juntoQue viver feliz sozinhoTomaraQue a tristeza te convençaQue a saudade não compensaE que a ausência não dá pazE o... Continue lendo →
Ó minha amadaQue olhos os teusSão cais noturnosCheios de adeusSão docas mansasTrilhando luzesQue brilham longeLonge nos breus...Ó minha amadaQue olhos os teusQuanto mistérioNos olhos teusQuantos saveirosQuantos naviosQuantos naufrágiosNos olhos teus...Ó minha amadaQue olhos os teusSe Deus houveraFizera-os DeusPois não os... Continue lendo →
De repente do riso fez-se o prantoSilencioso e branco como a brumaE das bocas unidas fez-se a espumaE das mãos espalmadas fez-se o espanto.De repente da calma fez-se o ventoQue dos olhos desfez a última chamaE da paixão fez-se o... Continue lendo →
Para isso fomos feitos:Para lembrar e ser lembradosPara chorar e fazer chorarPara enterrar os nossos mortos —Por isso temos braços longos para os adeusesMãos para colher o que foi dadoDedos para cavar a terra.Assim será nossa vida:Uma tarde sempre a... Continue lendo →
Quando a madrugada entrou eu estendi o meu peito nu sobre o teu peitoEstavas trêmula e teu rosto pálido e tuas mãos friasE a angústia do regresso morava já nos teus olhos.Tive piedade do teu destino que era morrer no... Continue lendo →
Tristeza não tem fimFelicidade sim…A felicidade é como a plumaQue o vento vai levando pelo arVoa tão leveMas tem a vida brevePrecisa que haja vento sem parar.A felicidade do pobre pareceA grande ilusão do carnavalA gente trabalha o ano inteiroPor... Continue lendo →









